quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Num beijo sem fim

Extensões do ser


Quanto menos quero o mundo,
Mais te quero nele
És-me extensão entre tudo
O que nele partilhado existe
E as pétalas tatuadas que deixas
Nas margens de mim.
E o mundo é um nada que resiste,
Ao suspiro de vida que persiste
Num beijo que trocamos
Numa simbiose sem fim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Enquanto houver um presente

Boas Festas!

Ainda guardo a memória do Natal em família.
É essa memória que não deixo morrer na minha história e...
Enquanto houver
um presente na memória,
que não seja de saudade,
o Natal será sempre
felicidade… porque
é de humildade
a chama
nos afectos
de quem ama,
no perdão
que flameja.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Águas do rio

Pervinca
Águas do rio

Águas do rio deslizam
Suaves no meu peito
No prolongamento
Das águas do meu leito
…Alva nascente
Que meu corpo soluça.

Coração sem jeito
Sem hora nem memória
Travesso
Corre
Inquieto
Fora do peito
Divagando…
Palavras ao vento.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Neste Natal....

Concebido para este Natal (original da autora)


NESTE NATAL
Gostava de escrever um poema…

Que fosse um hino à Natividade
Que cumprisse o renascimento

Abrisse de luz e amor o coração
Curasse todo o mal e ferimento
Na infinita plenitude do perdão.

Que fosse pão e vinho repartido
Saciasse a alma e a carne da fome

No aroma da canela de um abrigo
À despojada solidão sem nome
E o lamento, incenso de amigo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Nuvens do meio dia

Nuvens do meio dia

Dizem que em todas as coisas se deve procurar a beleza

que existe em tudo,  nas coisas e nas pessoas

 

Não busques nos outros o mal, procura sempre o bem.

O bem é a beleza contida em todas as coisas do universo

Como o humano ser, coisa com alma, como todas as coisas

Com um fio de vida preso à luz que lhe dá cor e memória. 

 

Mas ai de mim… como poderei esse milagre viver?

Como poderá o meu olhar sobreviver…

 

…. À criança ressequida e acorrentada nos olhos

      Esmigalhados na mortífera hipnose da fome

          No vislumbre de um mirrado leite sem gemido

…. Ao rendido coração de mãe desmaiado no chão

    Estendido no abandono da crosta do peito?

 

Os teus olhos vêem através da alma, a essência que trazes contigo.

Não olhes para fora de ti depois de acordares do longo sono.

Deixa que o despertar liberte as aves, matem o sonho da noite,

Espreguiça como quem abre a aurora novas asas nascidas num abraço

E voa alagando de leite as aves, nutrindo as nuvens do meio dia.