sábado, 25 de março de 2017

Violinos no silêncio

Violinos no silêncio
(Foto original da autora)

«Ama e faz o que quiseres»
Sto. Agostinho

Se calares com amor,

O teu silêncio calará o sangue


Que o ruído sombrio empalidece
E confusa a mente estremece.


Se calares com meditativa coragem
E que não seja para ficares calado
No inerte medo do que traz a espera

Que seja o amor a força e a candeia
Que iluminará o coração e as palavras

E o silêncio serão violinos nas veias 
Que teus pensamentos incendiarão.

Beijo

Sentindo o teu brilho no meu
(Foto original da autora)

A cor dos teus olhos beijo

Arrojando na luz que em ti deixo.

Olhando para ti, os meus olhos fecho
Sentindo o teu brilho no meu
E o meu no teu
Num beijo

Que todos os poros percorreu
Os teus e os meus
Num só eixo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Primavera

O parto da primavera
Nas folhas novas escritas de poesia.
(Foto original da autora)

Quem sabe da dor que tem a flor
Quem sabe da terra o fel


Os vermes e as trevas dela
Por que passou a semente
No caminho da raiz para o seu mel

Numa vontade desenfreada de vencer
Para desabrochar em sol!

Quem sabe da dor que a terra tem
À virginal liberdade renunciar
Aceitando tudo o que nela cai
Em agrave exploração contínua
Esgotando o precioso filão à míngua
Ferindo de morte a essência da vida!

Quem sabe dos verdes prados
Ou das densas florestas 
Que por serem virgens intensas
Cruzam-se nos elementos
Em perfeita harmonia genética.

A água é rainha e rei é o sol
Afagam de carinho 
O parto da primavera

Nas folhas novas escritas de poesia.

terça-feira, 21 de março de 2017

Rios da humanidade

Doces rios em cristais de sal
(Foto original da autora deste blog)


Tenho esperança de que o meu rio particular,
Que encho das lágrimas no livro das horas  


Ponteiro dos segundos num cristal afiado,
Se renove no perdão agreste do sal por alisar,


E se transforme em generoso oceano azul e prata
Em brotos de cintilações e cantos das ninfas
Que hão de às estrelas maiores chegar

Unindo purificadas as dores do mundo

Em doces estrelas cadentes nos rios da humanidade.

Dia Mundial da Poesia

Da mão fiz um ninho // De amor o coração
Nasceu o passarinho // E a poesia renovação.
(Foto original da autora)


Dos teus olhos deixa o brilho se libertar

Quando ouves os pássaros que te chamam 
Soltando do peito as cores que te abraçam.




Um gritante arrepio assalta-me o espírito
Quando me ponho a pensar.   

Na espera…

Vidas de sentido único, entorpecidas
na passagem dos destroços…
corpos endoidecidos  e doentes
preenchem o espaço verde e fresco,
que nem por ele dão ao passar,
ocupados nos seus pensamentos
dos problemas e coisas insignificantes
que preenchem o dia de todos os dias.

Não há espaço nem olhar para horizonte
onde nasce o sol todos os dias.
Não há tempo para observar a beleza da flor
que desabrocha as suas cores lentamente,
ou de sentir o suave aroma que irradia. 

A natureza está aqui, vive e renasce…
laborando lentamente a sua existência
no seu ritmo sem nada pedir… está aqui…
Apenas ouve a melodia síncrona dos pássaros,
sente a brisa do vento ao passar num abraço,
enquanto aguarda o brilho do nosso olhar

A alegria do som será deleite de encantar.
   

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher

Leveza do sentir (foto original da autora deste blog)

Mulher forte


Sabe da sua sorte


Do ventre saem rosas

De esplendorosos matizes

É força da natureza

Em permanente renascimento

Alicerce infinito da primavera.

Em fervente ebulição abre o peito-alimento

Sustentando a eternidade do corpo e da alma



Mulher dócil, inteligente

Nobreza permanente



Nobres valores cimenta

No respeito pela vida

É alicerce do mundo

No firme tronco da vida

No olhar, uma estrela cativa

O caminho do amor e da esperança



Mulher altruísta, generosa

Plenitude radiosa



É raiz do mundo, mas será sempre menina

Sonhando campos de aromas e flores

Plantados na palavra sem dor nem rancor

Não tem domínio na grande cidade humana.

Mas a sua voz, o seu canto, asas ganha

E sem espanto, pleno de encanto

O mundo transforma.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Emoções flor-de-vento

Ora choras, ora ris...
Emoções flor-de-vento
(Foto original da autora)

Ora choras, ora ris...

Emoções flor-de-vento 

Presas de encantamento


Rosa-dos-ventos sem direcção
Ponteiros nos eixos abertos
Força dos tormentos despertos

Demência dos sentimentos,
Falsa implosão do coração
In(verso), clausura da emoção

Eterno botão quase flor
Sorris ao sol por desabrochar
Na sombra da raiz das águas

Que não sabe rir…
Sem chorar logo a seguir.
(Emoções flor-de-vento)

quarta-feira, 1 de março de 2017

O brilho no peito

Sentindo o teu brilho no meu peito
 (Foto original da autora - Serra de Sintra)




É o cansaço de ver o mundo às avessas

Que atravesso nos passos roubados nas margens

De esconsas e falsas profecias que anunciam da sorte



Que não cresce imóvel e absorta no tempo
Consumida do vivo fantasma erguido em silêncio  
Que a morte anda a monte cavalgando ermos de mim
Baloiçando pesados e sem força no vento
Adormecido no prumo da morte avassalador e casto

Plúmbeas raízes submersas engrossam
Matizes ocultas da luz da madrugada.