sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Conversas privadas com... Violência Doméstica




O centro do mundo está em cada um, no centro das emoções, no centro dos desejos, no centro da esperança de uma vida melhor, de ser melhor que o alheio, de ter mais e mais, tornando-se num infernal, obsessivo e único objectivo de vida. Tudo à volta gira em velocidade, sem a mínima percepção do invisível e do inaudível, porque não se vê, não se ouve, mas existe. E o que se vê existe porque lhe dão vida, existe pela simples necessidade de existir para alimentar, preencher o vazio crónico que está cheio de coisas vazias, que, por serem vazias, constantemente são substituídas por outras também vazias, e assim sucessivamente. Ocupam o espaço da razão, do entendimento, ocupam o espaço do afecto, da compreensão e do discernimento. Tudo isto impede o crescimento, a maturidade de homens e mulheres que hão-de gerar outros homens e outras mulheres... (Clicar aqui para continuar a ler)



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Outono não é morrer






O Outono chegou em melancólica melodia, 

Colorindo o chão, vivos aromas de promessas

Fundem-se na terra, folhas caídas sem pressas  

De renovarem de vida em futuros de poesia.




Enquanto houver a duração das estações,

o Outono será a última antes do Inverno.

A dúvida é se haverá uma outra Primavera …

E tapetes de flores para reinventar no Verão.



Passar um bom Outono é a garantia de um bom Inverno vir a ter.

Fazer da providência meditação, acalmando a voz das aves que ainda soam em despertares…



 – saber parar não é morrer –



É preparar a Primavera  para bem renascer.

sábado, 17 de setembro de 2016

Conversas privadas... com Deus


(...) As paredes do escritório são de cor clara. Dizem que as cores claras absorvem a luz e o calor, talvez aborvam também pensamentos e as conversas que tenho com Deus, ou com elas… Se as palavras se contiverem talvez pudesse subtraí-las com um decapante… e as emoções jorrariam nas suas diversas cores pelas paredes, que guardaria em negros frascos de cristal opaco, devidamente acondicionados e protegidos.

Os pensamentos chegam e partem como o vento, umas vezes brisa, outras vendaval; apesar de a maioria não ficar na superfície da memória, outros há que ficam teimosamente mesclados de emoção.


Foi noticiado recentemente um acontecimento que me provocou uma catadupa de memórias de pensamentos antigos, já macerados e devidamente limados, ao longo do tempo, dos excessos que temperam a emoção. Confesso que me chocou ver e ouvir tal notícia na televisão sobre os Comandos da Amadora, que, já nos idos anos 80, tinham fama de ser tropa violenta para quem lá entrava, contra-indicada para «fracos e homossexuais». (...) Continua... clicar aqui.


sábado, 3 de setembro de 2016

Conversas Privadas com... A Justiça

http://birdmagazine.blogspot.pt/2016/09/conversas-privadas-com-justica.html
Balança da justiça





Ontem, dia 1 de Setembro, inaugurou-se mais um ano judicial pautado, como sempre, com os melhores valores e declarações de boas intenções, onde não faltaram os eruditos discursos de orientação e a apresentação de novidades para o sistema, tendo na assistência as mais altas personalidades do governo e do sistema judicial, inclusive advogados e a respectiva Ordem.

A justiça é o maior pilar da democracia que rege o país na sua necessidade de ordem e respeito pelas leis. Vivemos numa sociedade onde o desequilíbrio é maior que o equilíbrio numa balança torta e mal calibrada. Por isso, todos os anos o sistema acerta a agulha da balança procurando calibrar o sistema, sobretudo nos discursos. Com efeito, a balança estava e continua dobrada, independentemente do Ministro da Justiça que estiver à frente, apesar de todos os esforços. 
O ser humano não é perfeito, mas devia viver pensando na sua perfeição. Queremos liberdade, queremos direitos, queremos estabilidade, queremos paz e, sobretudo, queremos prosperidade. São direitos que todos os seres humanos almejam e por isso lutam incansavelmente. 
A liberdade pode proporcionar os maiores bens da terra, mas também se arrisca a fazer nascer os maiores males. Infelizmente é isso que está a acontecer. Há novas leis diariamente… leis a corrigir leis, códigos a corrigir códigos anteriores, ao longo de anos, mudanças de procedimentos constantes… e nunca mais se acerta a balança. Há os advogados de defesa e os advogados de acusação, o Ministério Público e o juiz que tudo determina e julga, conforme as testemunhas, além das instâncias superiores, cada um com as suas leis e manipulações. É muita gente a raciocinar e a inquirir sobre um só processo (não falo aqui de outros meios, nomeadamente policiais, que também fazem parte do sistema). E todos querem ganhar… e todos querem ter razão – o que acusa e o acusado, servindo-se, às vezes, vergonhosamente do sistema, através de todos meios possíveis e até imaginários. As vítimas são e serão sempre vítimas, traumatizadas para o resto da vida e os acusados usufruem dos direitos humanos, da generosidade do sistema nas pessoas que mexem e decidem sobre os processos. O acto de se cometer um crime deve-se ao carácter e à má-formação da pessoa de quem o comete, mas também à liberdade do sistema que o permite. O sistema está a criar uma onda de psicopatas e de corruptos como nunca. Sempre houve, é verdade. Mas onde entra a educação, a literacia, o respeito pelos outros, pelo sistema, pelas leis? Seria suposto que com tanta liberdade, educação e bem-estar, o Português evoluísse noutro sentido. Dizem que sempre houve crimes de todo o tipo, inclusive violência doméstica, mas que não se via, não se sabia. Tenho de discordar. O número aumentou exponencialmente, assim como a violência nas escolas, para não falar de outros crimes. 
A sociedade está dividida em dois e não sei para que lado pende a balança. Vejo ao meu redor pequenas transgressões à lei e faltas de respeito pelos outros por tudo e por nada. Hoje não tem importância, terá com certeza dentro de alguns anos, quando o excesso de confiança for o estado psicológico predominante. A mentalidade é formada pelos actos e pensamentos e de todo o seu conteúdo, que é transportada ao longo da vida para outros níveis de actuação, conforme as necessidades. Passa de pais para filhos e estes, chegada a altura, podem melhorar a sua forma de vida em sociedade, ou podem agudizar ainda mais a estrutura egoísta e egocêntrica, fazendo da vida um pequeno inferno para eles e para os outros. Se a tentação pelo proibido, a cobiça, a inveja, a ganância, a mentira… e, hoje, a falsa necessidade de adrenalina, ou o pseudo-stress que gera perturbações mentais, ou a insegurança nas relações que desestrutura a família, ou a falta de controlo das emoções, ou a corrupção, muito pequena, pequena, média e grande, provocam o entupimento dos tribunais, ou a ineficácia dos serviços públicos, então todos os que cometem actos (a dar ou a receber) que contenham aqueles pressupostos são transgressores, criminosos ou potenciais criminosos. No fundo, fazer um jeito ao amigo não é grave… como se fosse o compincha da carteira do lado, na escola, que lhe mostra por baixo da mesa a cábula que trouxe de casa. Tudo é normal. E depois é adulto e quer ser igual e ter o mesmo que os outros, que aprenderam a lição, e pede ao antigo colega de escola, bem posicionado na administração, até da justiça, que lhe faça um favor sem importância.
Desde cedo estruturei-me tendo por base valores cristãos, cristalizados mais tarde numa consciência de cidadania cívica e ética com conhecimento dos direito e dos deveres. Considero-me uma pessoa civilizada e determinada, no respeito pelos outros e assim vivi até hoje. Embora, ao longo da vida me tenha deparado com algumas situações que me desagradaram, preferi seguir em frente do que dar importância e querer justiça à minha ofensa. Achava que a justiça seria para os casos mesmo graves. E deixei em aberto, a quem me ofendeu, a possibilidade, ou oportunidade, de olhar para a sua consciência e ver o que fez. A isto chama-se, acho eu, um modo de fazer a paz. Acreditava e via a justiça como uma valor superior. Hoje, já não consigo pensar assim. 
A minha linguagem é diferente da linguagem dos meus vizinhos. Para eles tudo é uma brincadeira e um desafio. Se perdem um processo, vingam-se e ainda fazem pior. Se ganham (ninguém sabe como) vangloriam-se e ganham confiança para continuar. Roubar e mentir, manipular funcionários públicos e até juízes, e difamar, com uma apurada engenharia mental de estrategas, tudo faz parte das regras deste jogo, que forma a doença, de que toda a gente prefere ignorar.