«A medida do amor é amar sem medida», Sto. Agostinho / «Se as crianças se desenvolvessem tal como são a princípio, só haveria homens de génio neste mundo», Johann Wolfgang Goethe
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Água
domingo, 29 de janeiro de 2017
Auroras
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| Auroras róseas |
Calo a noite da almofada sem glória
Estanco o rio no seu último gemido
Com incorporada prece em oratória
Faço-lhe devoto um grandioso velório
Iluminado de sonhos em pó de estrelas.
Amortecida do silencioso quebranto do rio
Desperto o dia que nasce esguio
Levanto as velas dobradas do navio
Respiro o mar num primeiro suspiro
E o céu cintila preces de auroras e futuro.
sábado, 28 de janeiro de 2017
A certeza do gato
sábado, 14 de janeiro de 2017
Os Semelhantes
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| Coração do verbo amar |
Os
Semelhantes
«Conhece-te
a ti mesmo,
torna-te consciente da tua ignorância
e serás sábio.»
(Sócrates)
Segundo
Platão, só o semelhante conhece o semelhante. Também é comum dizer-se que os
opostos se atraem. Tanto um aforismo como o outro são verdadeiros, quanto a mim,
nas relações humanas, tanto familiares, sociais, amorosas, comerciais..., nas
suas diversas formas. É comum verificar, por exemplo, uma pessoa calma com
pouco sentido de humor simpatizar e gostar da presença de uma pessoa activa e
divertida. Ambas gozam da presença uma da outra, a primeira porque sente
admiração e prazer, a segunda porque se sente admirada e, por isso, o seu ego
aumenta, e ambas são felizes nesta vivência centrada de opostos. Há uma
atracção por necessidade (uma da outra), desprovida de conhecimento e de
afinidades. Também acontece muito nas relações amorosas, mas estas levam
algumas ao engano, acabando em frustração a médio ou longo prazo, porque teria
de haver adaptação e cedências, difíceis por vezes. Enquanto numa relação
familiar, entre pais e filhos e entre irmãos, são as semelhanças, no seio dos
vários elementos, que constroem os afectos e direcção das atenções; entre
irmãos e irmãs, são as brincadeiras e as cumplicidades. Não me vou alongar a
esmiuçar estas questões tão delicadas, que serão mais do foro da psicologia,
talvez numa outra crónica.
Como
conhecer o nosso semelhante é, quanto a mim, uma questão difícil e que me tem
ocupado a vida inteira. Na Bíblia, amar o próximo será o mesmo que amar o seu
semelhante, uma das leis mais difíceis de cumprir. Como amar o que não se
conhece?
Mais
fácil será amar uma flor, um gato ou um cão. São seres simples e «simpáticos»,
apesar da sua complexidade. Talvez sejamos nós, humanos, que não esperamos mais
do que aquilo que eles nos poderão dar. Porque não o esperamos, aceitamos a sua
condição porque são diferentes de nós, por isso é fácil amar estes seres, que
até nos dão um certo prazer e alegria, por vezes surpresas, pela sua
espontaneidade e leveza. Não complicam a vida, são assim, e não exigimos senão
uma certa disciplina básica. Seria de esperar que conhecêssemos bem toda a
natureza, talvez. Mas não é isso que acontece, não conhecemos de facto, mas
pensamos que conhecemos. Contudo, aceitamos.
E
nós, conhecemo-nos uns aos outros? Conhecemo-nos a nós próprios, pelo menos?
O
aforismo grego «conhece-te a ti mesmo», citado e estudado na Filosofia e na
Literatura desde a Antiguidade, tem tido diversas interpretações ao longo dos
séculos.
Não
podemos conhecer os outros se, antes, não nos conhecermos — por fora e por
dentro — e é esta a verdadeira e fundamental questão do Homem, que continua a recusar
a olhar para si próprio. Talvez porque se recusa a olhar para o outro, a
conhecê-lo, a compreendê-lo, como Homem igual a si próprio, com os mesmos
sonhos, com os mesmos desejos, os mesmos pensamentos. Hobbes afirma: «Mas para
nos ensinar que a semelhança dos pensamentos e paixões de um homem, os
pensamentos e paixões de outro, aquele que olhar para dentro de
si e contemplar o que faz quando pensa, quando opina, quando raciocina, tem
esperança, medo..., e sobre que bases ele deve, assim, ler e saber quais são os
pensamentos e paixões de todos os outros homens sobre as ocasiões parecidas.»
Os
grupos são criados nas semelhanças dos elementos que os compõem, dos seus
gostos e preferências, por exemplo os clubes desportivos, os partidos
políticos, associações de interesses, comunidades, etc. Assim como os grupos de
homens, mulheres e crianças que sofrem a fome, que precisam de comida, têm em
comum a luta pela sobrevivência. Mas também quem tem o poder e a riqueza, que
não passa fome, sabe e tem consciência que o outro não deve viver sem comer,
como ele próprio não o conseguiria. Será fácil um rico saber o que o outro rico
pensa e sente e até se medem na estatura, mas não é fácil um rico pensar o que
sente um pobre, porque o seu pensamento está demasiado ocupado num nível
autodestrutivo de humanidade, está demasiado ocupado a fazer contas sobre
acumulação, perdas e ganhos, descaracterizando-se, fundindo-se com a matéria e
a imagem; perdeu a sensibilidade e a profundidade interior e recusa-se a olhar
para aquele que não se parece nada com ele, deixou de ser seu semelhante. Este
homem não se conhece a ele próprio, conhece o que veste, a casa, o automóvel, a
empresa, a família, como apoio e prolongamento de si próprio, mas não se tem,
não compreende o mundo que não seja o seu, está fora dele. Se um dia cair em
desgraça, então, terá de aprender a olhar para o outro e para si próprio e
descer do seu pedestal até às suas cavernas interiores.
Também
os grupos dos pobres se juntam na sua pobreza, desumanizados, numa luta
incansável pela subsistência, entreajudando-se ou competindo na corrida do quem
chega primeiro para apanhar qualquer coisa para comer. Também eles estão fora
do mundo, desintegrados, não conhecem e não compreendem os ricos.
Em
ambos os casos há semelhanças — na desumanidade — que, de modo nenhum, se
atraem, pelo contrário, estão em posições opostas, como duas margens que vivem em
paralelo, que nunca se tocam nem aproximam. Não terão cérebros estruturados da
mesma forma, mas terão com certeza pensamentos idênticos de vencer a todo o
custo e sonham, não interessa que sonho, sonham igualmente. Entretanto, uns
morrem por terem de menos, outros morrem por terem demais. Uns têm doenças
devido às carências, outros têm doenças devido ao excesso.
Quanta
loucura entre as margens o rio acumula!!? É um rio negro e sujo que aguarda a
redenção do olhar numa nova luz. Conhece-te a ti mesmo e verás por que razão há
quedas financeiras a repousar no lago das tormentas. Conhece-te a ti mesmo e
verás por que razão há quedas que são despertares obrigatórios, com vista à
inclinação das margens, revolvendo o sangue e as luas antes de chegarem ao mar.
O
filósofo Ralph Waldo Emerson escreveu um poema com o título «Conhece-te a ti
mesmo». Acreditava que «Conhecer a si mesmo» significava conhecer a Deus, que
Emerson dizia existir dentro de cada pessoa.
Leia também aqui.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
O Amor...
O amor dá-se
O amor faz-se
O amor sente-se
O amor não tem forma
O amor não tem língua
O amor não se destroça
O amor não é estátua, não é escultura
Não é música nem pintura
O amor não se aprisiona, é liberdade em si
Nada o machuca, nada o altera
Não duvida do coração que o alberga
Amar é desprendimento total do ser
Nas cinzas do tropeço do ter
Que o tempo ensina a acender
É um sentimento individual, singular...
É sentir o peito pleno de júbilo
Exaltante vida e infinita alegria
O amor é simples e claro como o orvalho do lírio …
Maior do que o coração pode sentir, transbordante rio
De versos que o poeta jamais saberá escrever.
É maior que o próprio bem e nas veias um poema de amor
Que penetra em chama no peito de quem só quer uma flor.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
O Elefante e a Serpente
Há muito tempo que
concentro o meu pensamento na análise e no estudo do comportamento de algumas
pessoas no sentido de compreender o que as move. Dizem os cientistas que temos
partes de genes de várias espécies de animais e que a evolução nos trouxe ao
que somos hoje, animais e humanos. Em resumo simplificado, é assim. Mas
gostaria de perceber se é apenas a educação, ou o meio em que nascemos, ou os
genes que trazemos o que nos torna tão diferentes uns dos outros. Poderá ser a
junção de todas as circunstâncias ou talvez não. Porque são uns mais parecidos
com serpentes, outros com hipopótamos, outros com felinos, outros com
elefantes, outros com aves, ou com macacos, etc.? Se formos a ver bem é disto
que se trata. Há pessoas mais pacíficas, como o elefante, há outras matreiras,
como o felino, há outras falsas como a serpente, etc. E eu pergunto-me se será
dos genes, ou da data de nascimento, ou do karma que transportamos ao longo dos
milénios da nossa existência, ou da memória colectiva que possuímos bem fundo
no nosso Cérebro Reptiliano primitivo, que controla o nosso lado mais
instintivo e animal, mas também do cérebro mamífero, que controla as emoções, e
o Neocórtex, mais humano, que integra o raciocínio. Todos os seres humanos
possuem estes três cérebros, a diferença que nos separa uns dos outros está em
saber qual deles está mais activo em cada um de nós.
O Cérebro Reptiliano no
ser humano tem as características e em tudo se assemelham às serpentes
(répteis): lutar ou fugir. Não aprende com os erros, não tem sentimentos nem
faz amizades sinceras e não tem capacidade de pensar. Copia, imita os outros no
que lhe convém, é calculista e preconceituoso. É frio, territorial e agressivo,
hierárquico e escravizador, obsessivo e autoritário, chegando mesmo a
paranóico.
Realço resumidamente
outras características da serpente que considero bastante interessantes em
analogia com as pessoas-serpentes, ou, melhor, com aquelas cujo Cérebro
Reptiliano é predominante: no Brasil, diz-se que as cobras têm peçonha
(substância activa produzida para atacar e matar as presas, as cobras venenosas
apenas usam o seu veneno para se defenderem); a pele é coberta de escamas e
muda-se com regularidade; estudos comparados de fósseis de répteis e répteis
actuais indicam que as serpentes foram perdendo as pernas e as patas quando
passaram a viver e a caçar em tocas; como possuem uma mandíbula flexível, as
serpentes não mastigam, permitindo-lhes engolir as presas por inteiro, com
diâmetro superior ao seu. Haverá muito mais a dizer sobre a serpente – muitas
vezes associada ao mal, à morte e à escuridão,
por ser considerado um animal misterioso, traiçoeiro e venenoso, também é um
símbolo muito rico em diversas culturas que pode representar o rejuvenescimento,
a renovação, a vida, a eternidade
e a sabedoria – mas não é o assunto central desta crónica.
Na mitologia nórdica
europeia, segundo «Edda em prosa» de Snorri, Jormungand (2.º filho de Loki,
deus do Fogo e da Magia, e de Angrboda, deusa do Medo) tem o aspecto de uma
gigantesca serpente. Odin (deus dos Deuses e da Sabedoria) raptou os três
filhos de Loki, sendo Jormungand atirado ao mar que rodeia Midgard, onde viveu
desde então. A serpente cresceu tanto que seria capaz de dar a volta à Terra envolvendo-a
num círculo e engolir a própria cauda (como a serpente Ouroboros), ganhando o
nome alternativo de Serpente de Midgard ou Serpente do Mundo. É o símbolo da
evolução voltando-se para si mesmo num eterno retorno.
Não deixo de mencionar
a serpente que deu a maçã do conhecimento a Eva para que a comesse, que por sua
vez a deu a comer a Adão. Perdida a inocência (no pecado original), tiveram de
deixar o paraíso e, a partir daí, passaram a viver todos os tormentos da Terra.
Diz-se que a verdade dói. A verdade em
vermo-nos, a verdade em ver os outros, a verdade da existência e que, apesar de
tudo, o ser humano procura a felicidade e luta desesperadamente para a
conquistar. Pelo que vejo nos media, na net, onde vivo, pelo mundo fora, o
Cérebro Reptiliano está sobrevalorizado, parece mesmo que se sobrepõe aos
outros cérebros, através da política, da publicidade, das guerras, do
terrorismo, do consumismo, da economia, da corrupção, do crime em geral... Há
um denominador comum em todo o mundo que é a competição, competição entre
homens e mulheres, competição nos empregos, competição entre empresas,
competição política, competição nas bolsas, competição nas escolas, competição
entre irmãos... Nada se faz sem haver competição numa guerra psicológica
desenfreada de invejas e soberbas, de humilhações e enganos. O Cérebro
Reptiliano quer vencer a todo o custo, nem que para isso tenha de engolir a sua
própria cauda para segurar, controlar, ter o poder superior sobre os outros,
ser dono do mundo, ou do pequeno mundo que o rodeia, através do medo e da
ignorância, escravo e prisioneiro do instinto mais primitivo. Hierarquias,
etiquetas, estatutos, canudos profissionais (sem conhecimento), cunhas, nomes,
bem-falantes, demonstrações ostensivas de sucessos (por vezes inexistentes)… numa
sociedade em que mais vale o ataque que a defesa, em que quem não se impõe não
é gente, ou mesmo quem não é igual é «anormal»… são imensos os sinais de
manipulação reptiliana que destroem a humanidade e a Terra. Mais feliz é o cego
que tudo compreende, do que aquele que tem olhos e nada vê!
Onde está a verdade do
ser humano humanus est? Afinal o que é e quem é? O que nos torna diferentes dos
animais? – Homo Sapiens, Homo Spiritus, Homo Humanum, Homo erudictus. Sabemos que
ele existe, eu sei que há bastantes exemplares destas espécies de Homos, mas serão
necessários muitos mais com vontade de fazer a diferença para inverter a marcha
do Cérebro Reptiliano até chegar à sua inicial posição inferior e se
autodesactivar, como num clique, em massa, para finalmente o Homem ser inteiro
e viver a plena liberdade a que tem direito e, ao mesmo tempo, o dever de a
sentir. Uma liberdade consciente e responsável iluminada pela centelha humana
de paz e amor que caminha sobre a erva fresca da harmonia e da abundância onde
a felicidade germina.
Esta é a mensagem que
deixo para o Novo Ano 2017.
Ler também aqui
Esta é a mensagem que deixo para o Novo Ano 2017.
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| Cérebro (imagem Google) |
Sem dúvidas
| Sem dúvidas existenciais |
Numa densa floresta de sombras,
A flor supera expectável as trevas do
seu caminho
O espaço cresce à medida que se inclina
à claridade,
Deforma-se estonteante num contorcido
grito
Que se propaga às folhas,
pedindo-lhes humildemente
Que a deixem passar até poder na luz
descansar.
É uma raridade do querer… ser singeleza
Natural da mais pura vontade de
sobrevivência
E do sol colorida, ser a mais bela
filha da luz
Que não se deixa quedar na fraqueza
Das sombras nem das dúvidas da
existência.
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