terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Por uma gota

Por uma gota (Foto original da autora)


Antes de chorares por uma gota
Antes que a folha seque e morra
Antes que a loucura seja rouca
Caminha na direcção do nascente
Retorna à virgindade donde nasceste
Enche-te da pura essência que trouxeste


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Água

Gotas de Vida (Foto original da autora deste blog)
Beleza luxuriante...
Êxtases de abundância líquida
Fonte insubstituível que alimenta e refresca
Os rios, os campos, as árvores e as flores...
É única ­__ Original
Na sua simplicidade __ Urgente
Dá de beber a seiva da vida mais pura e cristalina
Pintando o mundo de abundância e vida
Em todo os cantos e planícies, montanhas e vales...

Por onde passa sacia a fome e a sede
Faz do mundo beleza e terra prometida.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Auroras

Auroras róseas

Calo a noite da almofada sem glória 
Estanco o rio no seu último gemido
Com incorporada prece em oratória
Faço-lhe devoto um grandioso velório
Iluminado de sonhos em pó de estrelas.

Amortecida do silencioso quebranto do rio
Desperto o dia que nasce esguio
Levanto as velas dobradas do navio
Respiro o mar num primeiro suspiro
E o céu cintila preces de auroras e futuro. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

A certeza do gato

A certeza do gato

Quanto mais me pesa a vida
Mais procuro a leveza.
Se sentisse todo o peso
 Da montanha, jamais
Tentaria chegar 
Ao cúmulo de 
tanta certeza.
Vivo, eu sou
E penso
Ser ave
Voo



sábado, 14 de janeiro de 2017

Os Semelhantes

Coração do verbo amar



Os Semelhantes



«Conhece-te a ti mesmo,

 torna-te consciente da tua ignorância

 e serás sábio.»

(Sócrates)



Segundo Platão, só o semelhante conhece o semelhante. Também é comum dizer-se que os opostos se atraem. Tanto um aforismo como o outro são verdadeiros, quanto a mim, nas relações humanas, tanto familiares, sociais, amorosas, comerciais..., nas suas diversas formas. É comum verificar, por exemplo, uma pessoa calma com pouco sentido de humor simpatizar e gostar da presença de uma pessoa activa e divertida. Ambas gozam da presença uma da outra, a primeira porque sente admiração e prazer, a segunda porque se sente admirada e, por isso, o seu ego aumenta, e ambas são felizes nesta vivência centrada de opostos. Há uma atracção por necessidade (uma da outra), desprovida de conhecimento e de afinidades. Também acontece muito nas relações amorosas, mas estas levam algumas ao engano, acabando em frustração a médio ou longo prazo, porque teria de haver adaptação e cedências, difíceis por vezes. Enquanto numa relação familiar, entre pais e filhos e entre irmãos, são as semelhanças, no seio dos vários elementos, que constroem os afectos e direcção das atenções; entre irmãos e irmãs, são as brincadeiras e as cumplicidades. Não me vou alongar a esmiuçar estas questões tão delicadas, que serão mais do foro da psicologia, talvez numa outra crónica.



Como conhecer o nosso semelhante é, quanto a mim, uma questão difícil e que me tem ocupado a vida inteira. Na Bíblia, amar o próximo será o mesmo que amar o seu semelhante, uma das leis mais difíceis de cumprir. Como amar o que não se conhece?

Mais fácil será amar uma flor, um gato ou um cão. São seres simples e «simpáticos», apesar da sua complexidade. Talvez sejamos nós, humanos, que não esperamos mais do que aquilo que eles nos poderão dar. Porque não o esperamos, aceitamos a sua condição porque são diferentes de nós, por isso é fácil amar estes seres, que até nos dão um certo prazer e alegria, por vezes surpresas, pela sua espontaneidade e leveza. Não complicam a vida, são assim, e não exigimos senão uma certa disciplina básica. Seria de esperar que conhecêssemos bem toda a natureza, talvez. Mas não é isso que acontece, não conhecemos de facto, mas pensamos que conhecemos. Contudo, aceitamos.



E nós, conhecemo-nos uns aos outros? Conhecemo-nos a nós próprios, pelo menos?



O aforismo grego «conhece-te a ti mesmo», citado e estudado na Filosofia e na Literatura desde a Antiguidade, tem tido diversas interpretações ao longo dos séculos.

Não podemos conhecer os outros se, antes, não nos conhecermos — por fora e por dentro — e é esta a verdadeira e fundamental questão do Homem, que continua a recusar a olhar para si próprio. Talvez porque se recusa a olhar para o outro, a conhecê-lo, a compreendê-lo, como Homem igual a si próprio, com os mesmos sonhos, com os mesmos desejos, os mesmos pensamentos. Hobbes afirma: «Mas para nos ensinar que a semelhança dos pensamentos e paixões de um homem, os pensamentos e paixões de outro, aquele que olhar para dentro de si e contemplar o que faz quando pensa, quando opina, quando raciocina, tem esperança, medo..., e sobre que bases ele deve, assim, ler e saber quais são os pensamentos e paixões de todos os outros homens sobre as ocasiões parecidas.»

Os grupos são criados nas semelhanças dos elementos que os compõem, dos seus gostos e preferências, por exemplo os clubes desportivos, os partidos políticos, associações de interesses, comunidades, etc. Assim como os grupos de homens, mulheres e crianças que sofrem a fome, que precisam de comida, têm em comum a luta pela sobrevivência. Mas também quem tem o poder e a riqueza, que não passa fome, sabe e tem consciência que o outro não deve viver sem comer, como ele próprio não o conseguiria. Será fácil um rico saber o que o outro rico pensa e sente e até se medem na estatura, mas não é fácil um rico pensar o que sente um pobre, porque o seu pensamento está demasiado ocupado num nível autodestrutivo de humanidade, está demasiado ocupado a fazer contas sobre acumulação, perdas e ganhos, descaracterizando-se, fundindo-se com a matéria e a imagem; perdeu a sensibilidade e a profundidade interior e recusa-se a olhar para aquele que não se parece nada com ele, deixou de ser seu semelhante. Este homem não se conhece a ele próprio, conhece o que veste, a casa, o automóvel, a empresa, a família, como apoio e prolongamento de si próprio, mas não se tem, não compreende o mundo que não seja o seu, está fora dele. Se um dia cair em desgraça, então, terá de aprender a olhar para o outro e para si próprio e descer do seu pedestal até às suas cavernas interiores.

Também os grupos dos pobres se juntam na sua pobreza, desumanizados, numa luta incansável pela subsistência, entreajudando-se ou competindo na corrida do quem chega primeiro para apanhar qualquer coisa para comer. Também eles estão fora do mundo, desintegrados, não conhecem e não compreendem os ricos.

Em ambos os casos há semelhanças — na desumanidade — que, de modo nenhum, se atraem, pelo contrário, estão em posições opostas, como duas margens que vivem em paralelo, que nunca se tocam nem aproximam. Não terão cérebros estruturados da mesma forma, mas terão com certeza pensamentos idênticos de vencer a todo o custo e sonham, não interessa que sonho, sonham igualmente. Entretanto, uns morrem por terem de menos, outros morrem por terem demais. Uns têm doenças devido às carências, outros têm doenças devido ao excesso.



Quanta loucura entre as margens o rio acumula!!? É um rio negro e sujo que aguarda a redenção do olhar numa nova luz. Conhece-te a ti mesmo e verás por que razão há quedas financeiras a repousar no lago das tormentas. Conhece-te a ti mesmo e verás por que razão há quedas que são despertares obrigatórios, com vista à inclinação das margens, revolvendo o sangue e as luas antes de chegarem ao mar.



O filósofo Ralph Waldo Emerson escreveu um poema com o título «Conhece-te a ti mesmo». Acreditava que «Conhecer a si mesmo» significava conhecer a Deus, que Emerson dizia existir dentro de cada pessoa.
Leia também aqui




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O Amor...


O amor dá-se
O amor faz-se
O amor sente-se

O amor não tem forma
O amor não tem língua
O amor não se destroça

O amor não é estátua, não é escultura
Não é música nem pintura

O amor não se aprisiona, é liberdade em si
Nada o machuca, nada o altera
Não duvida do coração que o alberga

Amar é desprendimento total do ser
Nas cinzas do tropeço do ter
Que o tempo ensina a acender

É um sentimento individual, singular...
É sentir o peito pleno de júbilo
Exaltante vida e infinita alegria

O amor é simples e claro como o orvalho do lírio …
Maior do que o coração pode sentir, transbordante rio
De versos que o poeta jamais saberá escrever.

É maior que o próprio bem e nas veias um poema de amor
Que penetra em chama no peito de quem só quer uma flor.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O Elefante e a Serpente


Há muito tempo que concentro o meu pensamento na análise e no estudo do comportamento de algumas pessoas no sentido de compreender o que as move. Dizem os cientistas que temos partes de genes de várias espécies de animais e que a evolução nos trouxe ao que somos hoje, animais e humanos. Em resumo simplificado, é assim. Mas gostaria de perceber se é apenas a educação, ou o meio em que nascemos, ou os genes que trazemos o que nos torna tão diferentes uns dos outros. Poderá ser a junção de todas as circunstâncias ou talvez não. Porque são uns mais parecidos com serpentes, outros com hipopótamos, outros com felinos, outros com elefantes, outros com aves, ou com macacos, etc.? Se formos a ver bem é disto que se trata. Há pessoas mais pacíficas, como o elefante, há outras matreiras, como o felino, há outras falsas como a serpente, etc. E eu pergunto-me se será dos genes, ou da data de nascimento, ou do karma que transportamos ao longo dos milénios da nossa existência, ou da memória colectiva que possuímos bem fundo no nosso Cérebro Reptiliano primitivo, que controla o nosso lado mais instintivo e animal, mas também do cérebro mamífero, que controla as emoções, e o Neocórtex, mais humano, que integra o raciocínio. Todos os seres humanos possuem estes três cérebros, a diferença que nos separa uns dos outros está em saber qual deles está mais activo em cada um de nós.
O Cérebro Reptiliano no ser humano tem as características e em tudo se assemelham às serpentes (répteis): lutar ou fugir. Não aprende com os erros, não tem sentimentos nem faz amizades sinceras e não tem capacidade de pensar. Copia, imita os outros no que lhe convém, é calculista e preconceituoso. É frio, territorial e agressivo, hierárquico e escravizador, obsessivo e autoritário, chegando mesmo a paranóico.
Realço resumidamente outras características da serpente que considero bastante interessantes em analogia com as pessoas-serpentes, ou, melhor, com aquelas cujo Cérebro Reptiliano é predominante: no Brasil, diz-se que as cobras têm peçonha (substância activa produzida para atacar e matar as presas, as cobras venenosas apenas usam o seu veneno para se defenderem); a pele é coberta de escamas e muda-se com regularidade; estudos comparados de fósseis de répteis e répteis actuais indicam que as serpentes foram perdendo as pernas e as patas quando passaram a viver e a caçar em tocas; como possuem uma mandíbula flexível, as serpentes não mastigam, permitindo-lhes engolir as presas por inteiro, com diâmetro superior ao seu. Haverá muito mais a dizer sobre a serpente – muitas vezes associada ao mal, à morte e à escuridão, por ser considerado um animal misterioso, traiçoeiro e venenoso, também é um símbolo muito rico em diversas culturas que pode representar o rejuvenescimento, a renovação, a vida, a eternidade e a sabedoria – mas não é o assunto central desta crónica.
Na mitologia nórdica europeia, segundo «Edda em prosa» de Snorri, Jormungand (2.º filho de Loki, deus do Fogo e da Magia, e de Angrboda, deusa do Medo) tem o aspecto de uma gigantesca serpente. Odin (deus dos Deuses e da Sabedoria) raptou os três filhos de Loki, sendo Jormungand atirado ao mar que rodeia Midgard, onde viveu desde então. A serpente cresceu tanto que seria capaz de dar a volta à Terra envolvendo-a num círculo e engolir a própria cauda (como a serpente Ouroboros), ganhando o nome alternativo de Serpente de Midgard ou Serpente do Mundo. É o símbolo da evolução voltando-se para si mesmo num eterno retorno.
Não deixo de mencionar a serpente que deu a maçã do conhecimento a Eva para que a comesse, que por sua vez a deu a comer a Adão. Perdida a inocência (no pecado original), tiveram de deixar o paraíso e, a partir daí, passaram a viver todos os tormentos da Terra.
 Diz-se que a verdade dói. A verdade em vermo-nos, a verdade em ver os outros, a verdade da existência e que, apesar de tudo, o ser humano procura a felicidade e luta desesperadamente para a conquistar. Pelo que vejo nos media, na net, onde vivo, pelo mundo fora, o Cérebro Reptiliano está sobrevalorizado, parece mesmo que se sobrepõe aos outros cérebros, através da política, da publicidade, das guerras, do terrorismo, do consumismo, da economia, da corrupção, do crime em geral... Há um denominador comum em todo o mundo que é a competição, competição entre homens e mulheres, competição nos empregos, competição entre empresas, competição política, competição nas bolsas, competição nas escolas, competição entre irmãos... Nada se faz sem haver competição numa guerra psicológica desenfreada de invejas e soberbas, de humilhações e enganos. O Cérebro Reptiliano quer vencer a todo o custo, nem que para isso tenha de engolir a sua própria cauda para segurar, controlar, ter o poder superior sobre os outros, ser dono do mundo, ou do pequeno mundo que o rodeia, através do medo e da ignorância, escravo e prisioneiro do instinto mais primitivo. Hierarquias, etiquetas, estatutos, canudos profissionais (sem conhecimento), cunhas, nomes, bem-falantes, demonstrações ostensivas de sucessos (por vezes inexistentes)… numa sociedade em que mais vale o ataque que a defesa, em que quem não se impõe não é gente, ou mesmo quem não é igual é «anormal»… são imensos os sinais de manipulação reptiliana que destroem a humanidade e a Terra. Mais feliz é o cego que tudo compreende, do que aquele que tem olhos e nada vê!
Onde está a verdade do ser humano humanus est? Afinal o que é e quem é? O que nos torna diferentes dos animais? – Homo Sapiens, Homo Spiritus, Homo Humanum, Homo erudictus. Sabemos que ele existe, eu sei que há bastantes exemplares destas espécies de Homos, mas serão necessários muitos mais com vontade de fazer a diferença para inverter a marcha do Cérebro Reptiliano até chegar à sua inicial posição inferior e se autodesactivar, como num clique, em massa, para finalmente o Homem ser inteiro e viver a plena liberdade a que tem direito e, ao mesmo tempo, o dever de a sentir. Uma liberdade consciente e responsável iluminada pela centelha humana de paz e amor que caminha sobre a erva fresca da harmonia e da abundância onde a felicidade germina.
Esta é a mensagem que deixo para o Novo Ano 2017.

 Ler também aqui 



Esta é a mensagem que deixo para o Novo Ano 2017.

Cérebro (imagem Google)




Sem dúvidas

Sem dúvidas existenciais





Numa densa floresta de sombras,

A flor supera expectável as trevas do seu caminho

O espaço cresce à medida que se inclina à claridade,

Deforma-se estonteante num contorcido grito

Que se propaga às folhas, pedindo-lhes humildemente

Que a deixem passar até poder na luz descansar.



É uma raridade do querer… ser singeleza

Natural da mais pura vontade de sobrevivência

E do sol colorida, ser a mais bela filha da luz

Que não se deixa quedar na fraqueza

Das sombras nem das dúvidas da existência.