| Planuras |
Nenhuma brisa faz
mover a folha,
Nem um beijo
molhado na areia.
Nada transparece
no silêncio da alma
Quando o mar se
esvazia das vozes das sereias
E nele próprio se
fecha nas correntes que o enleia.
Afastados na
lonjura das margens gritos submarinos suplicam
Que os peixes se
multipliquem puros e limpos no marulhar dos búzios.
O céu já não é o
que era, sem medo os anjos fecham os ouvidos
Dos castigos as
rochas não choram, e do sol as areias não se importam.
Venham estrelas das
longínquas galáxias agitar as águas da monotonia
E dos milénios das
guerras o Homem sangrento volte a ser luz e água,
Encha o mar de
búzios e cante os sons da maré cheia nas noites de luar.
Que os astros querem-se
a dançar e livres todas as estrelas amar.


