Na agitação da vida, entre o que se deseja e o que não se consegue, nos planos que fazemos para nós e nas lutas que travamos com os outros, nascem e crescem sentimentos e emoções por vezes difíceis de gerir. E acontece também que, quanto mais lutamos, mais foge o que procuramos.
Ficamos agitados, ansiosos, o sistema nervoso desequilibra-se, a mente ferve e os pensamentos soltam-se selvaticamente, sem freios nem travões. Descargas eléctricas aceleram as batidas do coração, aumentando a ansiedade e a perturbação.
Longe de conseguirmos o que queremos, nasce a frustração e a revolta interior, abrindo espaços de raiva que provocam uma cegueira interna devastadora. Já não raciocinamos, reagimos; já não discernimos, vemos apenas um lado, normalmente aquele que nos convém para a satisfação emocional do momento.

Expansão____do olhar (Foto original da autora)
Mas se vivermos uma paz interior… (como?) sem hipocrisia, nem aparência, aquela paz em que não se sente o tempo, nem o ontem, nem o amanhã, aquela paz de pensamento, sem a preocupação do que disse o outro, ou do que fez aqueloutro, em que nada nos ofende nem agita, como o mar calmo espraiando-se devagar que nem a areia o sente passar…
Todavia as águas do mar aqueceram-se na areia que recebia o calor do sol, e a areia refrescou-se quando o mar por ela passou sem se aperceber. E é nesta troca de energias, de temperaturas emocionais, que se dá a transformação.
Podemos, efectivamente,
com a clara visão das nossas emoções, dos nossos sentimentos, e sobretudo
pensarmos naquilo que pensamos, mudar-nos a nós próprios e mudar o mundo que
nos rodeia. Porque não é o mundo que muda, somos nós que, ao mudarmos, estamos
a mudar o mundo ao mesmo tempo.
Tal como a areia e o mar que viveram um momento de amor e de
transformação sem se aperceberem.
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