Abandonos (foto original da autora)
De assalto noutra era
emigrado
Mala carregada de esperança
Ilegal na noite, levou afoitado
A família, no bolso da segurança
A fome e a miséria no lar
deixadas
Foram substituídas pela
saudade
Num envelope de lágrimas
pintadas
Marcadas em severa
pontualidade
E o tempo passado poupando
Em séria regularidade no
banco
E um dia vem sobre rodas
andando
E a moradia constrói de
solavanco
Generoso foi o tempo regado
De silêncio e longo
sofrimento
Tempo do nada remodelado
Convicto do final do
tormento
Chega a alegria na Primavera
Brilhando asas nos sorrisos cantos
Semearam todas as terras de
eras
Culturas em tapetes de
encantos
Chamava-se democracia
Chamava-se liberdade
Tudo o que o povo queria
Pão e mesa em igualdade
Vem o poder que tudo pode
De longo e negro manto
vestido
Com artes de magia artrópode
Nos mais fracos, é sabido
Dizem que é para a grande
nação
O dourado armazém fazem
oculto
Laborando sem parar em
comunhão
E intimidades com o
jurisconsulto
É o tempo da fartura do tudo
Em que tudo é o todo
permitido
E o povo em nada abarca mudo
Dualidade humana sem sentido
Morrem os fracos, sua
condição
De fome até aos ossos corroídos
Andam pelas ruas da
mendigação
Dormem no frio chão empedernidos
Da mochila os cérebros
doutores
Com autorização legal e a
pedido
No portátil carregam as flores
A mudança e o rumo exigido
…
Loucos
são os homens
Desesperados
na loucura
Que
procuram em vão
Cegos
de tanta procura
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