domingo, 30 de abril de 2017

Deixem livres as estrelas

Planuras 


Nenhuma brisa faz mover a folha,
Nem um beijo molhado na areia.



Nada transparece no silêncio da alma

Quando o mar se esvazia das vozes das sereias

E nele próprio se fecha nas correntes que o enleia.


Afastados na lonjura das margens gritos submarinos suplicam
Que os peixes se multipliquem puros e limpos no marulhar dos búzios.

O céu já não é o que era, sem medo os anjos fecham os ouvidos
Dos castigos as rochas não choram, e do sol as areias não se importam.

Venham estrelas das longínquas galáxias agitar as águas da monotonia
E dos milénios das guerras o Homem sangrento volte a ser luz e água,

Encha o mar de búzios e cante os sons da maré cheia nas noites de luar.


Que os astros querem-se a dançar e livres todas as estrelas amar.

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