| O silêncio da alma |
Sentada à soleira da porta
dou comigo a ouvir o som da brisa,
Que me toca serena num viço de saudade como se a chamar-me.
O silêncio fez-me
erguer os olhos à altura do céu,
Passando pela
folhagem que se movia lentamente.
Todos os sentidos
se puseram em sentido emudecidos.
E uma conhecida paz
bateu-me no peito como há muito não batia.
Depois de insana
descida aos abismos de humana loucura
Real é a essência
desta luz natural que não se deixa apagar.
Que venham ferozes
os abutres à minha carne
Que jamais irão sentir
o gosto da minha alma.
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