quinta-feira, 16 de novembro de 2017

À Liberdade



Se a liberdade é ser livre como as aves 

De ilusão dignos são os entraves 
Mágica a realidade tropeça na acção
E desvios do egoísmo fazes condenação

Sem o rumo certo nem aprumo
És árvore curvada sem prumo
Ondeias à deriva dos ventos
Infantil caprichas nos elementos

Infliges agruras, longos sofrimentos
Alimentas ódios de falsos ornamentos
E nas ruas cintilas ouro a fingir beleza
Cínica encalças dos sonhos a presa

Sucede longa sombra à beleza
Com total impunidade e frieza
Pétala a pétala a terra desflora
A morte espreita e lenta aflora

Breves os suspiros d´alma revolvem
Emoções em fragmentos sacodem
Invertendo as florações da primavera
E no estio é do fogo a negra quimera

As raízes do sangue cobrem-se dor
As flores implodem em gritos sem cor
Da loucura a humanidade ganha asas
E outros sonhos nascem das brasas

Desfraldam-se terras e sementes
Em movimentos de fadigas dementes
Rasgando em espiral o céu paciente
Desintegram plácido o corpo dolente

Mas das cinzas é eterna a substância
Pura renasce a alma e rosa a infância
E divinos os genes da humanidade
Serão fulgor cósmico da liberdade.

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