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| «Grândola Vila Morena», de José Afonso |
Estamos todos enganados!
Não vivemos em democracia.
Ela tem morada na sua casa
Coisas de luxos e mordomias,
Paredes, portas, janelas e brasas
Assembleias, grandes salas vazias.
(...)Paredes, portas, janelas e brasas
Assembleias, grandes salas vazias.
Afinal a democracia é proprietária,
Paga a turistas e a quem lá mora
Dá solenes galas a grande faixa etária
E acolhe a banca com juros de mora.
A democracia é preversa e vaidosa
Pavoneia-se nos seus corredores
Com espelhos de água impiedosa
Que reflectem velhas sombras e bolores.
Maliciosos e secretos desejos almeja
Como mulher de vida perdida
Impura dá o corpo a quem a beija
Faz-se cara e, leviana, contrai dívidas.
Afinal, a democracia não é alternativa
Está fechada... e eu não sabia.
Está fechada... e eu não sabia.

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