Apenas na flor /
Resiste a beleza. / Eterna leveza / Semente de amor.
(Foto original da
autora)
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A vida não é longa nem curta,
é a utilidade que lhe dá o tempo
no ritmo do pensamento,
haja dor ou amor que furta
haja dor ou amor que furta
no compasso do coração.
.
«É um defeito bastante
comum, entre os homens, julgar de forma imprudente as acções e as intenções dos
outros. E nele se cai, apenas, devido a um mau raciocínio, pelo qual, por não
se conhecer de modo suficientemente distinto todas as causas que podem produzir
um qualquer efeito, se atribui tal efeito precisamente a uma causa, quando
pode, muito bem, ter sido causado por muitas outras (…)»
(Aristóteles, «A
Lógica ou A arte de Pensar»).
Este texto de
Aristóteles, escrito há 18 séculos, em que enumera e define as boas regras de
um bom raciocínio, parece ter sido usado apenas para filósofos e eruditos,
aqueles que detiveram, ao longo do tempo, o domínio da escrita e da leitura. O
povo não foi beneficiado, para que se mantivesse na ignorância, e, assim,
obedecer cegamente aos vários tipos de poder.
Com a Revolução
Industrial e a respectiva ascensão de uma nova burguesia com poder económico, o
ensino alargou-se, abrindo uma brecha para uma nova sociedade, a chamada
Sociedade Moderna.
Em Portugal, apenas 0,8
por cento dos portugueses atingiu o ensino superior nos anos 60 do século xx, e,
embora já fosse obrigatório o ensino básico até ao 4.º ano, 37,8 por cento
completaram o 1.º ciclo do Ensino Básico (números contidos na obra de Mariana
Gaio Alves, A Inserção Profissional de
Diplomados de Ensino Superior numa Perspectiva Educativa: O Caso da Faculdade
de Ciências e Tecnologia, 2007). Passados mais de 40 anos do 25 de Abril de
1974, só recentemente passou a ser obrigatório o 12.º ano.
Como podemos saber
raciocinar se não possuirmos o conhecimento e a capacidade de análise? Apesar
da falta de literacia, os pais dos anos 50 e 60 regeram-se pela redobrada
atenção sobre os filhos e nas boas práticas de boa educação, ensinando a distinguir
o bem do mal.
Todos os seres humanos
possuem pensamento, uma área cerebral própria munida de ferramentas para
raciocinar. Mas o cérebro funciona com o que traz na sua genética ao nascer, o
restante é formado pelas várias aprendizagens e leituras, em suma, pelo que vai
adquirindo e assimilando ao longo da vida do indivíduo. Ou seja, o cérebro é
formatado pelo indivíduo que o possui, e é ele, indivíduo, o responsável pelo
que nele próprio «deposita».
Ora, a vida dos
indivíduos, no geral, e de cada um em particular, nos nossos dias, gira à volta
dos bens materiais, influenciados pela publicidade, pelos medias (que informam
de modo filtrado), filmes (que, normalmente, integram violência, sexo ou
emoções fortes), telenovelas (com cenas de intriga, inveja, ciúme, violência,
arrogância e outras).
Penso que não estamos
no trajecto da construção de mentes sãs, nem a formar cérebros que saibam
pensar com o conhecimento necessário a julgar a si próprios e muito menos os
outros.
Numa próxima crónica
darei continuidade a este tema, para que esta não seja demasiado longa.
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