terça-feira, 14 de novembro de 2017

Sem ninho



Perdoarei um dia ao meu país

Logo meu pai perdoei ao nascer
De esperança meus dias fiz
Certa a luta de acordar e ser

Levou-me para outro país
Longínquo que assim me fez
Tirou-me a língua e a raiz
A pátria, o orgulho português

Em cativante idioma submergi
Nas alegres comédias de Molière
E das fábulas de La Fontaine ri
Poemas recitei de Baudelaire

Às palavras fiz um belo ninho
Antes de Camões e Gil Vicente
A poesia repousa em alvo linho
As linhas são traços de quem sente

As pétalas deixadas no caminho
Cobrem os lagos da minha dor
Sou portuguesa mas sem ninho
Sou do mundo e sentido o amor

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