Perdoarei um dia ao meu país
Logo meu pai
perdoei ao nascer
De esperança
meus dias fiz
Certa a luta
de acordar e ser
Levou-me
para outro país
Longínquo que
assim me fez
Tirou-me a
língua e a raiz
A pátria, o
orgulho português
Em cativante
idioma submergi
Nas alegres comédias
de Molière
E das
fábulas de La Fontaine ri
Poemas recitei
de Baudelaire
Às palavras fiz
um belo ninho
Antes de
Camões e Gil Vicente
A poesia
repousa em alvo linho
As linhas são traços
de quem sente
As pétalas
deixadas no caminho
Cobrem os
lagos da minha dor
Sou
portuguesa mas sem ninho
Sou do mundo
e sentido o amor
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