O reflexo do fogo numa lisa superfície brilhante
É como o sol na superfície da água
ondulante.
É do fogo a imagem que vagueia sobre o mar,
Mas é a água horizontal que ondula o sol,
Serpenteando vivaz numa dança a dois tempos.
A luz deixa-se envolver em sensual volúpia,
Jubila cintilações de prazer e promessa.
É a ilusão do reflexo do espelho impassível,
Que veloz consome o sonho impossível
Nas entranhas do sangue corrompido.
Deslumbrado o mar deixa-se levar
Acalenta o sonho das asas do fogo,
Apoteóticas as vagas de perdição rodopiam
E os limites da natureza transcendem o natural.
Na estiagem da praia acabam infelizes e sós no
areal.

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